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quinta-feira, 10 de março de 2011

Liderar para Cima É Uma Arte

Dave Ulrich, um dos maiores especialistas em gestão de pessoas do mundo, acredita que alguns líderes tenham perícia e sabedoria para infl uenciar seus próprios chefes. Professor de negócios da Ross School of Business , da Universidade de Michigan, e co-fundador do Grupo RBL, consultoria que presta serviços aos maiores executivos de RH do mundo, ele já publicou mais de 100 artigos e 20 livros sobre o assunto. Em seu mais recente trabalho, O Código da Liderança (Editora BestSeller), escrito em parceria com Norm Smallwood e Kate Sweetman, o guru americano afirma que a boa liderança é aquela que inspira, empolga, envolve e dá autonomia. De acordo com ele, um dos maiores erros que os líderes cometem hoje em dia é o de se tornarem orgulhosos e arrogantes, quando deveriam ser humildes e abertos para aprender. Veja o que ele diz a seguir, em entrevista exclusiva concedida a VOCÊ S/A.

Um grande líder consegue liderar o chefe?
Gerenciar os superiores é uma arte. Ela exige que o subordinado saiba exatamente do que o chefe precisa e saiba também demonstrar que pode ajudá-lo a alcançar o que quer. A influência de baixo para cima não se dá por cargo ou tempo de empresa, mas por perícia e sabedoria. Quando o subordinado consegue fazer o gestor atingir seus objetivos, ele se torna uma influência positiva. Essa tarefa muitas vezes exige humildade, para não assumir o crédito pelo trabalho que é realizado.

Qual é o desafio número 1 na liderança? E seu maior inimigo?
A liderança está relacionada à construção da próxima geração de líderes e à garantia de que os potenciais líderes tenham aptidões e capacidades sob medida para o futuro, mais do que para o presente. Para isso, é preciso que o líder se cerque de pessoas diferentes dele. É tentador e fácil para um líder rodear-se de gente que pensa e age como ele, mas isso não cria sucessores. Os líderes também devem tomar cuidado para se cercar de indivíduos muito talentosos. Às vezes isso significa mais diálogo, debate, discórdia e discussão, mas essa mistura é que leva aos melhores resultados no longo prazo.

Quais são os erros mais comuns que os grandes líderes cometem?
Eu destaco três. Primeiro, eles esperam que o futuro seja como o presente. Marshall Goldsmith e outros falam que o que trouxe você até aqui não vai levá-lo até lá. A afirmação é muito verdadeira. Muitas vezes o que ajudou um profi ssional a ter sucesso no passado não é o que será crítico para ele no futuro. O segundo é o líder se tornar orgulhoso e arrogante, quando deveria ser humilde e aberto para aprender. Isso ocorre quando o líder começa a se concentrar em si mesmo mais do que nos outros, quando fica fechado para novas ideias, quando tem mais respostas que perguntas, quando está mais preocupado com o consumo do que com a produção e quando se isola em vez de se conectar com os principais interessados. Esse comportamento gera mau julgamento e más decisões. Por fim, o terceiro erro é o de esquecer que, por definição, a liderança é um esporte de equipe. Não é individual. A liderança não é apenas o que eu faço, mas o que eu consigo realizar com os outros e por meio deles. Fazer com que as pessoas se sintam bem com seu trabalho é crítico na liderança.

Qualquer pessoa pode desenvolver as cinco regras para liderar que o senhor menciona em seu livro?
Acreditamos que as pessoas têm predisposições, ou coisas pelas quais elas são mais atraídas. Por exemplo, eu sou mais predisposto a trabalhar em questões estratégicas. Mas as pessoas podem aprender técnicas que lhes permitam participar plenamente de todos os cinco domínios da liderança. Eu posso aprender a gerenciar melhor os talentos ou a desenvolver o capital humano. A pesquisa sobre liderança mostrou que metade dessa capacidade é inata, é a nossa predisposição. A outra metade representa coisas que podemos aprender e dominar.

Que perguntas um profissional pode fazer para si mesmo para se tornar um bom líder?
Ele deve se perguntar primeiramente se realmente quer liderar. A liderança tem um preço. Ela exige o abandono da autonomia pessoal e de alguns relacionamentos. Também pode exigir o aprendizado de novas técnicas que estão fora da sua zona de conforto. Pode ainda pedir que o profissional assuma riscos pessoais e profissionais. Depois, a pessoa deve se perguntar quais são suas forças e fraquezas na liderança. Que dimensões da liderança ocorrem mais naturalmente para ela? Quais são as áreas em que pode ter sucesso gastando menos energia? Por fim, é preciso se perguntar quais são os resultados que mais deseja obter. Quem são as pessoas que me seguem como líder? Como posso garantir que meu trabalho supra as necessidades e expectativas dessas pessoas?

E qual é o oposto de liderança?
Pergunta capciosa. Não é o acompanhamento, porque os seguidores fazem os líderes terem sucesso, e vice-versa. Também fazemos distinção entre o líder como indivíduo e a liderança como uma capacidade dentro da empresa. No entanto, essas são extensões da liderança. O oposto de liderança, provavelmente, é a falta de objetivos e a inércia.

Leitura
O novo livro de Dave Ulrich, professor de administração da Universidade de Michigan, traz cinco regras básicas e essenciais para se tornar um bom líder

Por Fernanda Bottoni em http://vocesa.abril.com.br/desenvolva-sua-carreira/materia/liderar-cima-arte-484911.shtml

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Aprenda a Negociar com Seu Chefe

São Paulo – Não importa qual o setor em que você atua ou a função que exerce – mais dia ou menos dia, você terá que olhar para seu chefe, menear a cabeça e dizer “não”.
Recentemente, a atriz Ana Paula Arósio fez isso. Alegando motivos pessoais, não compareceu aos primeiros dias de filmagem da novela Insensato Coração, que estreou nessa segunda-feira (17) na Rede Globo. Foi substituída. Após três meses de burburinho e uma série de hipóteses da imprensa, pediu desligamento da emissora. O fato veio a público na última semana por meio de comunicado oficial da rede de televisão.
Não se sabe ao certo quais as razões por trás da decisão da atriz e nem a maneira como ela negociou sua saída da novela, em outubro. No entanto, o caso coloca luz numa questão cara para todo profissional: como negociar com um superior sem que isso prejudique sua carreira?
A resposta prática para essa pergunta depende de conhecimento de estratégias de negociação, bom senso e muito jogo de cintura. “O problema é que as pessoas vão engolindo tantos sapos ao longo da carreira, que acabam colocando tudo a perder na hora de emitir uma opinião contrária”, afirma Eliane Figueiredo, diretora da consultoria Projeto RH.
EXAME.com consultou alguns especialistas e listou quatro conselhos para que você negocie da maneira correta com seus superiores, colaboradores ou colegas de trabalho.

1. Seja flexível
A questão não é apenas bater o pé em ritmo oposto ao da chefia. Mas abrir um canal de discussão com o objetivo de chegar a um cenário positivo para os dois lados.
Por isso, “ninguém pode entrar em uma negociação sem se preparar”, afirma José Roberto Valle, diretor da Scotwork do Brasil, empresa especializada em técnicas de negociação. Para negociar, ele explica, você deve ter bons argumentos em mãos e, principalmente, uma ótima noção do quanto quer e pode ceder.
Esse tipo de missão exige objetivos muito claros e um raciocínio argumentativo capaz de sustentá-los de uma maneira consistente. Mas também demanda versatilidade. Você precisa revisar seus limites e estabelecer até que ponto está disposto a abrir mão do seu ponto de vista.

2. Aposte na convergência
Uma das dicas do livro Conversas Decisivas (Editora Lua de Papel) é descobrir um objetivo mútuo entre as partes. “Encontre uma meta comum e terá uma boa razão e um clima saudável para falar”, afirmam os autores Kerry Patterson, Joseph Grenny, Ron Mcmillan e Al Switzler no capítulo “Proporcione segurança”.
Isso significa que você não deve investir, de cara, naquilo que é contrário à lógica proposta pela outra parte. Mas, sim, valorizar os aspectos convergentes entre os dois discursos. “É uma questão de entender as razões para a outra pessoa ter aquela opinião”, diz Eliane.
Se, por exemplo, seu superior insiste que você retome um projeto em nome dos bons resultados do seu departamento, mas você, ao contrário, acredita que outro desafio será mais eficaz, use o objetivo comum entre vocês dois de alcançar as metas como a chave da sua argumentação.

3. Entre com a solução
Agora, não caia na tentação de apenas apresentar seu ponto de vista e deixar a resolução do problema para seu chefe. Se você não concorda com um caminho proposto, é preciso sugerir uma solução plausível para o caso.
E, aqui, vale um exercício de fuga do próprio umbigo. Você deve pensar nessa solução tendo em vista não apenas seus próprios interesses, mas também os da outra pessoa envolvida na negociação.
Ao mesmo tempo, elabore contrapartidas para as propostas que forem surgindo ao longo da negociação. “Tenha sempre uma moeda de troca em mãos. Pense em sugestões que não custem muito para o outro lado”, diz Valle.

4. O que não fazer
Regra básica para um bom negociador? Mantenha a humildade. Sempre. “Não menospreze a situação”, diz Eliane. E muito menos a outra pessoa envolvida na situação.

“Você não pode romper a negociação de uma maneira intempestiva”, diz Valle. Eliane complementa: “O ‘não’ encaminha você para um beco sem saída”. Por isso, avaliam os especialistas, é importante manter uma postura flexível e aberta para o consenso entre as partes.

“Quando você entra com esse tipo de argumentação mostra senso crítico e comprometimento com o trabalho”, afirma Eliane. “Os chefes maduros não querem funcionários que falem amém para tudo. Eles valorizam profissionais que os ajudem a evoluir também”.